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06.12.2017 Fazer download

Do ninho ao voo: a história de uma bióloga que tirou a arara-azul da extinção

  • A parceria de 28 anos entre o projeto Arara Azul, a Toyota e, mais recentemente, com a Fundação Toyota do Brasil rendeu um aumento populacional da espécie de 300%

A plumagem degradê azul cobalto se destaca na paisagem das planícies alagadas do Pantanal sul-mato-grossense. Hoje, a beleza exuberante da arara-azul é um chamariz para turistas nacionais e internacionais que visitam o bioma apenas para observar uma das espécies bandeira do Brasil. Mas não foi sempre assim. Na década de 80, a espécie entrou para a Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção por conta da perda de habitat e da comercialização ilegal. Depois de 28 anos, por meio do trabalho persistente da bióloga Neiva Guedes e sua equipe, com o apoio da Fundação Toyota do Brasil, a espécie saiu da lista brasileira em 2014 e vai se reencontrando em seu habitat natural propício para a sua reprodução.

Tudo teve início, em 1989, quando Neiva, recém-formada na universidade, avistou uma árvore seca no Pantanal cheia de araras-azuis e se preocupou quando seu professor comentou que a espécie poderia ser extinta, caso a perda de habitat e o tráfico continuassem desenfreados. “Eu era muito romântica. Pensei que ficaria embaixo de uma árvore observando o dia todo e descobriria tudo sobre a arara. Mas logo alguém me disse que poderia descobrir muito sobre os comportamentos de um casal. Para conhecer a espécie, eu teria de rodar”, explica Neiva, que é também professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Uniderp. Foi então que ela decidiu procurar a Toyota do Brasil em busca de um veículo para se locomover pelos difíceis terrenos da região.

O modelo Toyota Bandeirante ajudou Neiva a percorrer as áreas alagadas e de mata do Pantanal e a descobrir hábitos peculiares, que contribuíram para a conservação da arara-azul. A sua alimentação é bastante restritiva, se alimentando apenas do fruto do acuri e da bocaiuva, dois tipos de palmeiras da região. Além disso, a postura de ovos é feita 90% em cavidades do Manduvi, uma espécie arbórea chave para a fauna, mas com distribuição restrita a área não inundável no Pantanal, dificultando a reprodução das araras.

Incansável, Neiva teve a ideia de criar ninhos artificiais já que percebeu a briga por território entre a espécie. As caixas de madeira passaram por muitas adaptações até chegarem ao formato ideal. Hoje, são consideradas um sucesso para a reprodução da espécie. No total, foram cadastrados mais de 741 ninhos, dos quais 457 são ninhos naturais e 284 artificiais e um aumento populacional de 300%. No início da década de 80, quando Neiva avistou as araras na árvore seca, especialistas estimavam apenas 1500 indivíduos no Pantanal. Atualmente, contabilizam-se 5 mil araras cruzando o céu do Pantanal.

Apesar das conquistas no Brasil, a espécie ainda permanece na lista vermelha das espécies ameaçadas, elaborada pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), pois seu alto grau de vulnerabilidade exige cuidados especiais para a sua conservação na natureza. “Apesar dessa conquista, que nos traz muito orgulho, entendemos que a inexistência de uma ação direta e planejada poderia significar o retorno da arara-azul para a lista de animais ameaçados de extinção”, explica Percival Maiante, presidente da Fundação Toyota do Brasil.

Mudanças climáticas

As variações no regime de chuvas provocadas possivelmente pelas mudanças climáticas têm preocupado especialistas, principalmente, nos últimos dois anos. Chuvas fortes fora de época, alterações bruscas de temperatura e calor intenso têm prejudicado ninhos ainda com filhotes que não estão prontos para alçar voo. “Em 2016, tivemos o fenômeno Lã Ninã afetando a estação reprodutiva. Neste ano, passamos por uma zona de convergência com chuvas muito fortes que já alagaram ninhos com filhotes”, explica Neiva.

Centro de Sustentabilidade

Em 2013, investindo na melhoria e na continuidade das atividades de conservação da espécie, a Fundação Toyota do Brasil financiou a construção do Centro de Sustentabilidade do Instituto Arara Azul, em Campo Grande (MS), com o objetivo de garantir a perenidade das ações da entidade, para que ela se torne, em alguns anos, sustentáveis economicamente por meio de novas fontes de financiamento ao projeto.

A gestão administrativa e a política da captação de recursos foram remodeladas, bem como a prospecção de novos projetos e ações. A campanha Adote um Ninho é uma delas. “O sistema de gestão que adotamos está contribuindo continuamente com a missão idealizada pelo Instituto Arara Azul. Percebemos isso, com a visibilidade e reconhecimento das nossas ações”, explica Eliza Mense, Diretora Executiva do Instituto.

O Centro de Sustentabilidade também proporciona o turismo de observação das araras na cidade e no Pantanal, principalmente no período de reprodução. O espaço recebe pesquisadores e estudantes brasileiros e estrangeiros, interessados no estágio e treinamento oferecidos pelo Instituto Arara Azul. Os visitantes ainda podem conferir a trajetória do Projeto Arara Azul, suas ações e resultados.

Outra forma de geração de renda são os artigos personalizados do projeto. Todo o valor arrecadado é revertido para ações de monitoramento e pesquisas, promovendo a conservação da biodiversidade. Mais detalhes sobre todas as modalidades de subsídio ao trabalho desenvolvido pelo projeto Arara Azul podem ser obtidos pelo endereço: http://institutoararaazul.org.br. Na área “Como Ajudar” é possível fazer pequenas doações e, em troca, receber produtos com a temática do projeto.

Adote um Ninho

Visando reforçar a importância da conservação da biodiversidade pantaneira, o Instituto Arara Azul iniciou uma nova fase no trabalho de proteção da espécie. A entidade lançou recentemente a quarta edição da campanha “Adote um Ninho”, que consiste no apadrinhamento de ninhos, proporcionando a arrecadação de recursos e, consequentemente, o fortalecimento do projeto.

As edições anteriores colheram resultados significativos. Desde a edição piloto ninhos foram apadrinhados por empresas e pessoas físicas, dentre esses vários famosos, como Ziraldo, Michel Teló, Almir Sater e Gabriel Sater, Carlos Saldanha, Chitãozinho e Xororó, Munhoz e Mariano e Luan Santana. Muitos já renovaram suas adoções e novos padrinhos estão aderindo à Campanha, que chega a sua terceira edição.

Mais detalhes sobre todas as modalidades de subsídio ao trabalho desenvolvido pelo projeto Arara Azul podem ser obtidos pelo e-mail diretoriaexecutiva@institutoararaazul.org.br.

Mais curiosidades da arara-azul
• As araras pertencem à mesma família dos papagaios, periquitos e maracanãs, chamados Psitacídeos;
• A arara-azul é uma ave monogâmica. Ou seja, forma um par/casal constante até a morte de um dos indivíduos;
• A espécie não tem dimorfismo sexual externo. Só é possível diferir o gênero a partir da análise de uma amostra de sangue ou laparoscopia;
• Após o nascimento, o filhote permanece sob os cuidados dos pais por mais de 100 dias, até que esteja pronto para voar;
• A arara-azul tem baixa taxa reprodutiva. Em geral, nasce um filhote a cada dois anos;
• As principais ameaças da espécie na década de 1990: descaracterização do habitat, tráfico ilegal e caça para uso em artesanatos e adornos indígenas.

Sobre a Fundação Toyota do Brasil

Criada em abril de 2009, a Fundação Toyota do Brasil atua na preservação ambiental e formação de cidadãos. Além das novas iniciativas surgidas com a sua instituição, a Fundação Toyota do Brasil unificou e ampliou todos os projetos de responsabilidade social em andamento, que estavam sob a responsabilidade da montadora Toyota do Brasil.

Nacionalmente, além do Projeto Arara Azul , a Fundação Toyota do Brasil patrocina desde 2009 o Projeto Toyota APA Costa dos Corais, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do governo federal. O projeto prioriza a conservação dos recifes de corais e ecossistemas associados ao peixe-boi marinho em uma área de 413 mil hectares nos estados de Alagoas e Pernambuco.

Localmente, a entidade agrega ainda as ações sociais implantadas e mantidas nas comunidades onde a empresa possui unidades, como Indaiatuba (SP), Guaíba (RS), Porto Feliz (SP), Sorocaba (SP) e São Bernardo do Campo (SP). As iniciativas compreendem as áreas de educação, meio ambiente e cultura, e contam com o apoio dos colaboradores da empresa como voluntários.

Para mais informações, visite o site da Fundação Toyota do Brasil na internet www.fundacaotoyotadobrasil.org.br.

Para entrar em contato com a Fundação Toyota do Brasil, envie uma mensagem para: contato@fundacaotoyotadobrasil.org.br

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